Fortuna crítica
Prazer e conhecimento
MEDDEIA
Num mundo repleto de grandes e pequenas misérias cotidianas, um acontecimento nada especial me trouxe a esta página. Tudo começou com o artigo do querido Darlan Zurc, “O mestre está nu”, seguido do “Miserere nobis”, de Jessé A. Primo. Depois do lengalenga inicial, Jessé que escreve bem e é culto, traiu sua arte: usou de artimanhas textuais, distraiu a atenção do leitor acerca do tema discutido e tentou à ferro e fogo defender o indefensável — o texto medíocre de um professor Emérito, ainda que homem querido e cidadão amável. O argumento usado era de que Darlan precisava ler de novo o tal livro Parlendas como ele o fez. Tudo leva a crer que Jessé A. Primo é um daqueles hipocondríacos incuráveis, sempre super-prevenido (todo excesso é doença) ou então, confundiu admiração pessoal com profissionalismo. O fato de se ler uma ou trezentas vezes o mesmo livro é uma questão primária de prazer e conhecimento, jamais busca desesperada por qualidade oculta. Imaginem o que seria nossa breve existência se tivéssemos que carregar uma lupa no meio da cara para verificar se as coisas são o que realmente são: aquilo é realmente um poste?! Um carro?! Uma bicicleta?! Viver assim seria absurdo, sobretudo quando se trata de arte! E livro com “seção poética” é um objeto artístico, ou uma pretensão de sê-lo.
Oxalá Deus permita que Jessé dê o devido direcionamento à sua ciência, e compreenda que “Miserere nobis” além de falacioso enquanto texto é um título petulante para o leitor e desonesto para com o colega Darlan Zurc!
Cheia de horror, apesar de tudo.
Meddeia é pseudônimo de um estudante de Letras da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Bahia.
Publicado no jornal Folha do Estado da Bahia, Feira de Santana (BA), 6-12-2002.
+ Leia mais: Fortuna crítica.
+ Leia mais: Repercussão.